Home
KaJotta
16 November 2009 @ 01:32 am
Não, o blog não está desatualizado. Você apenas não pode ver os posts recentes porque não é meu amigo e tenho dito =D
O que está abaixo é antigo, por tanto se você ler ou não, tanto faz =p
 
 
Current Music: Superstar - Sonic Youth
 
 
KaJotta
05 June 2009 @ 04:10 pm

"Às vezes não é necessário muito, apenas uma palavra, uma música, um perfume, que trazem à tona sentimentos há muito enterrados. E justamente eu, que tenho uma mente rápida para associações sem sentido, muitas vezes sofro com quedas bruscas em realidades que já não mais existem. Dói, na maioria dos casos. Por vezes o aperto em meu peito é tão grande que perco o fôlego por um instante. Deixo-me, então, navegar por mares perigosos, imaginando como foi que as coisas tomaram rumos tão diferentes, e reverto os fatos primordiais, montando em minha cabeça todo um novo futuro, ao meu agrado.

A antecipação mata, fato. Mais do que aquela incômoda voz no fundo de sua mente repetindo o quão covarde você é, mais do que a prévia do alívio que o fim trará e que a pressão da realidade, mais do que o próprio conceito de fazer o que é certo, os momentos, dias e horas antes, são o que realmente nos destroem."

[Serennity Katsuyami]


Eu fico me perguntando quando foi que eu me deixei ficar assim. Quando eu fiquei tão dependende de apenas um fator. Pra onde foi a frieza necessária em cada ser humano? Onde eu a afoguei?
À medida que os dias passam, tudo vai ficando mais vazio e sem sentido. A aproximação das férias faz meu peito abrir um buraco negro e uma sensação de isolamento vai se apoderando de mim.  Minhas manhãs, minhas tardes... são as coisas mais desagradáveis em minha vida. Um convívio diário apenas comigo mesma, para mim mesma. Sem vozes, sem nenhum olhar, sem ruídos alheios. Só existe eu naquele apartamento. Às vezes eu me pego rindo de algo engraçado na televisão e é tão estranho... tem alguém falando naquela sala.
Sou eu. Falando comigo. Fico com vergonha. Eu me encolho e olho mais uma vez o relógio. Só se passou uma hora desde que eu fui do quarto até a cozinha abrir a geladeira pra verificar pela centésima vez que não tem nada interessante pra mim lá dentro.
Outro suspiro.
Novamente minha voz no vazio.
Por mais digno de pena que posso ser, eu volto pro quarto com uma esperança engasgada de que tem algo pra mim naquele cômodo, naquela tela ridícula de computador. Nada. Absolutamente nada.  Não tem ninguém me esperando lá. Não tem nada pra eu esperar também... E aquela agonia antecipada surge de novo me fazendo voltar pra sala, passando por todos os canais da tv, vendo como aquilo é inútil, vendo que aquilo não vai me desconectar da realidade.
Sou tão patética.
Nada me prende. Nada me agrada. Comer não é uma opção. Ler algum livro, desenhar, tentar aprender algo novo... Tudo, absolutamente tudo é inútil e sem importância... Não consigo ver um fim pra isso.
Quando eu me tornei tão ridícula?
Eu preciso de um novo sentido porque o sentido que eu tinha foi embora... Escorregou por entre meus dedos enquanto eu sorria mais do que deveria. Não sorrio mais. Pra quê? Não é engraçado. Não, não.
Tudo é uma repleta negação.
Tudo é feio.
Tudo é vazio.
Tudo é sem sentido... sem futuro...
"Quem não entende teu pior, não merece teu melhor", ela disse.
"Apoie o momento dessa pessoa e pronto. Quem ama torce pelo outro", ele disse.
"As pessoas são descartáveis", ele continuou... e isso ecoa na minha cabeça todas as noites... "elas só tem prazos de validade diferentes".

Eu sei que preciso reagir de alguma fora. Encontrar um novo sentido. Me apoiar em algo novo. Até lá o isolamento vai me consumir até eu ficar maluca. 
Nunca odiei, mais do que agora, o início das férias... Que perda de tempo... 

Para onde foi minha ilusão? Para onde foi tudo no que eu acreditava?
Eu sou tão insignificante quanto meus sonhos infantis... Tão feia quanto meus atos... Tão descartável, tão desnecessária que eu tenho medo. 

No fundo eu sei que alguma coisa quebrou. Eu sei que eu não sou a mesma que seus olhos viam há muito tempo. A ternura não deve existir mais. Nem a contemplação. Muitos menos admiração. O carinho não deve ser o mesmo e o amor deve ter mutado. 
Eu devo ser o pedaço de uma linda lembrança; quando eu ainda não tinha pisado em sua inocência. 
Em breve não serei mais nada. 
E isso me dá tanto, mas tanto medo... Chorar também não é uma opção.
 

 
 
Current Location: nowhere only I know
Current Mood: crushed
Current Music: Franz Ferdinand - Walk Away
 
 
KaJotta
26 May 2009 @ 11:50 pm
Ela andava acelerada pelas ruas rumo ao metrô. A sensação de conquista, alegria e preocupação a motivavam a andar cada vez mais rápido, ignorando a pasta enorme que carregava bater na perna em um ritmo descompassado, e o peso da bolsa cheia no ombro. Ela também ligara para o pai, pedindo por favor que a buscasse na estação do metrô. Tudo para chegar mais cedo em casa.
Ao descer a rua ela fazia planos enquanto falava sozinha, baixinho, em um idioma que ela inventara, mas que em sua cabeça fazia sentido. Força de habito. Às vezes ela sorria, às vezes franzia as sobrancelhas; às vezes mudava para traços tristes. Tudo dependia do que ela estava pensando ou planejando.
Enquanto esperava o metrô, olhava com certo orgulho e incredulidade para o objeto em suas mãos, gabando-se um pouco por fazer, a despeito de si mesma, com que coisas tortas tirassem notam tão altas. Ela não podia ser tão ruim assim no que fazia então. Sem prévio aviso, nem para si mesma, o foco de seus pensamentos mudou fazendo com que ela começasse a cantar, em um inglês totalmente errado, uma música que escutava na rádio com bastante freqüencia. Ela gostava de fazer isso enquanto esperava na plataforma porque ninguém conseguia escutá-la, não importava o quão alto ela cantasse.
No carro ela contou as novidades para o pai, tanto as alegres como as tristes.
Em casa correu para o quarto e pegou o pequeno aparelho preto nas mãos. O coração beteu um pouco mais forte enquanto ensaiava mentalmente, ao passo de segundos, o que diria quando a voz do outro lado da linha respondesse a ligação à medida que discava um número familiar rapidamente.
Então foi aquilo que ela já esperava.
Não haviam mais planos.
Havia compreensão, culpa e tristeza.
Ironicamente ela já esperava por tudo aquilo enquanto descia para o metrô, fazendo planos e cantando músicas com a letra distocida.
Ela já sabia que seria assim.
Mesmo assim ela sempre insistia em ligar pelo bem dele, ou assim gostava de acreditar.
Ela não gostava da noite porque ela trazia reações inesperadas e violentas para seus sentimentos fracos.
Ela estava tão errada... Mas era impossível não se sentir mal.
Ela desligou o telefone desiludida, conferindo mais uma vez os recados novos que chegavam sem avisar. 
Foi quando ela sentiu uma pontada de raiva que logo deu espaço a uma única pergunta amarga: "Por quê?"
Por que aquela mensagem existia?
Não era como se aquilo não fosse algo rotineiro. ESTAVA virando rotina... Era quase todo dia... Ou era todo dia e ela que inicialmente não deu muita atenção?
Ela resolveu desistir por aquela noite. Resolveu se entregar à história triste de outras pessoas e ao torpor e neblina que aquilo lhe proporcionava. Não que fosse adiantar muito porque ela sabia bem que aquele sentimento desagradável atacaria novamente mais tarde. Então o torpor ao qual se induzia não adiantaria de nada.
Ela teve a certeza de que o dia seguinte seria um dia vazio.
Um dia normal que não podia ser tratato assim.
Ela é egoísta... como sempre.

Mais tarde ela percebeu que a atecipação e a falta de atitude a haviam levado por aquele caminho.
Ela se sentia idiota por pregar peças em si mesma.
 
 
Current Mood: gloomy
Current Music: Dashboard Confessional - Even Now
 
 
KaJotta
28 March 2009 @ 07:48 pm
Hoje é Dia do Planeta, ou seja, todas as pessoas no país deverão desligar as luzes às 8:30pm para mostrar o quanto estão preocupadas com o aquecimento global. Bonito gesto. E o resto dos dias do ano? As pessoas não podem só ter consciência por 1 hora nos tantos dias que temos em 12 meses... Em fim, mudar a cabeça de um único ser é extremamente difícil, o que dizer de milhões e milhões de cabecinhas hedonistas?

Ontem foi meu aniversário de namoro. Apesar de alguns acontecimentos desnecessários - e admito que a maioria, se não todos, foram por minha culpa -, foi um dia agradável, realmente feliz e divertido. No entanto, já há algum tempo, algumas coisas vem atrapalhando meu caminho de tijolos amarelos rumo à felicidade.
Meu namorado é uma boa pessoa. Aparentemente é sincero e carinhoso e mostra interesse pelo relacionamento e por mim. Mas sua constante falta de tempo, seus lapsos de "desinteresse" (estou sendo confusamente contraditória) e sua falta de detalhismo estão começando a me cansar. Desapontada, triste, confusa, com raiva e pensativa, eles sempre me deixaram.
Eu tento ser compreensiva, juro que tento... mas nenhuma pessoa consegue ser tão altruísta assim... é natural ser um pouco egoísta... não?
Eu sei que ele tem uma série de problemas. Eu sei que alguns desses problemas são realmente sérios e preocupantes. Sei também que no momento ele não tem poder sobre alguns ou nenhum desses problemas. No entanto... às vezes eu penso "e se não for somente isso?".
Recentemente passamos por uma situação difícil, quase impossível de ser contornada e ajeitada. Mesmo assim... mesmo tendo conseguido e isso sendo considerado prova mais do que suficiente de que ele gosta de mim, não consigo lidar bem com o passado. Não consigo aceitar certas pessoas que passaram por sua vida, nem consigo aceitar certos fatos e atos que ele teve para comigo. Realmente é um esforço quase violento e masoquista. Qualquer mínimo detalhe é capaz de me deixar pra baixo, de tal jeito que eu sinto não valer muita coisa. Às vezes sua falta de atitude ou importância para com as coisas me fazem sentir que eu já não significo tanto assim. Ontem, depois de dois anos de que o conheço e sendo nosso aniversário, eu senti isso de novo. Não foi muito encorajador para minha já baixa alto-estima.
"Eu não tenho tempo", "estou cansado", ele diz... mas eu também estou cansada, às vezes eu também não tenho tempo. Às vezes eu me desdobro nem eu sei como só para estar com ele. Às vezes eu deixo de fazer coisas para conseguir vê-lo. Posso ficar sem dormir um dia inteiro e mesmo assim ainda ir pra faculdade, só para poder passar um dia especial com ele. Sou capaz de incontáveis sacrifícios apenas para estar ali. Faria qualquer coisa para mostrar para ele como eu me importo e para vê-lo sorrindo. Por isso eu ainda resisto, não muito bem, mas tento. Por isso ainda me obrigo a pensar que sempre sou muito injusta, que eu não tenho a razão, que sou doente e obcecada e que aquilo não passa de paranóia. Sim, tenho um caráter efusivo, difícil e explosivo.
Eu não deveria fazer nada disso esperando algo em troca, mas é algo impossível. Eu espero uma resposta... Mas já há algum tempo não tenho obtido nenhuma. Isso só me faz pensar que o interesse que ele tinha por mim antes está diminuindo.
Isso não é justo.
Comprar um cartão não vai tirar de teu bolso mais do que algumas moedas. Pegar cinco minutos de tantos durante a semana não vai te deixar sem tempo. Escrever algumas linhas para a pessoa que você diz amar tanto não vai te deixar mais cansado do que você já está. Dizer, nem que seja, algumas malditas palavras felizes num maldito dia especial é tão complicado? É tão difícil assim de lembrar?
"Eu esqueci... Não tive tempo..."
Desculpe, mas eu não acredito nisso...
Estamos em uma fase de nosso relacionamento em que passamos a semana inteira sem nos ver, tendo como esperança, às vezes, algumas horas de um dia no fim de semana. Eu receio que isso esteja fazendo com que ele esqueça de mim aos poucos. Com que ele esteja perdendo o interesse em nós. Isso definitivamente está nos afastando.
Eu tenho tanto medo disso... e tenho medo também de que eu pare de me importar... Se um dia eu parar de me magoar ou me irritar com essas coisas... Se um dia eu não der mais a mínima estará tudo acabado.
Estou tentando ao máximo evitar que esse dia chegue.
Eu sou tão pequena para ele... está num nível em que já não importa ter detalhes um para com o outro. Não importa mais se importar tanto... Não sou mais uma coisa que precise ser cuidada com afinco...
Antes eu era a coisa mais importante, eu era o motivo, a esperança e a alegria. Hoje não passo de um nome no meio de uma frase. Eu estou me perdendo em seu mundo paralelo ao meu. Sem pontes, sem caminhos alternativos... Eu não sou mais nada que mereça tanta importância. Afinal de contas, existem muitas prioridades em sua vida e já ficou claro de que eu não sou uma delas.
Isso dói e já não sei mais o que fazer para mudar isso. Não sei mais como sorrir. Não sei mais como demonstrar... Não sei mais como agir.
Não sei como fazer para alcançá-lo de novo.
Não consigo acompanhá-lo mais.

(Com as luzes apagadas).
 
 
Current Location: My room
Current Mood: disappointed
Current Music: Karasu iro no taiji - Rentrer en Soi